Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Abril 27 2010
Não sei porque me detenho…

Entre sombras ocas

encontro uma sarcástica quietude…

Quero poder chorar o Outono

nos confins da planura…

Quero saciar

a água solitária que escorre nas paredes inauditas…

Nas tardes e manhãs, que num esgar se tornam anãs

oscilam clarões de promessas de virgindade…

Terão as rosas vergonha de ter espinhos?

 

 Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:46
editado por appoetas em 01/05/2010 às 00:05
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Abril 27 2010
Com os sulcos do tempo nas raízes da memória

os gestos já gastos repetem-se

de uma forma automatizada.

Maquinalmente infatigável

infatigavelmente mecanizada…

Sinto-me absconsa aquando do ocaso!...

Por vezes

há o fechar os olhos!

Há o sonho

onde o coração é estrela polar…

Há a libertação

de uma existência sonâmbúlica…

Há que dissociar e abscindir!...

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:45
editado por appoetas em 01/05/2010 às 00:04
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Abril 27 2010
Fechar os olhos.

Sentir na boca

o bater de asas

de uma mariposa multicor…

Sentir o anil

espraiar-se em mim…

Teus lábios afloram os meus…

Entreabrimo-los…

A mariposa

lentamente

passeia-se por nós…

Alastra-se o anil…

Somos embalados

por uma brisa morna

e perfumada…

Por nossos corpos

alastra-se o matiz…

Irreflectidamente,

vamos desvendando

o segredo de ouro…

 

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:44
editado por appoetas em 01/05/2010 às 00:04
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Abril 27 2010
No desassossego do meu dia
tento transpor as minhas nuvens
mas meu passo fatigado
tem um ululante som

tais caravelas à deriva nas ondas uivantes…

Os horizontes já enevoados

inexoravelmente cruéis…

A avidez consumista cativante dos tempos

não permite

beber os segredos

nem abrir a porta dos mistérios…

Bárbaro grito de meu ribeiro!

Barbara dança de cristal

que dorme dormente na cansada calçada.

  

Edite Gil

(Registado  o IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:43
editado por appoetas em 01/05/2010 às 00:03
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Abril 27 2010

Na ânsia descomedida do prolongamento

a salsugem do tempo salgado

perpetua momentos férteis de tristeza…

No crepúsculo índigo

denoto a herança empobrecida da tristeza…

Não tenho os pecados em dia!
O tempo gasta o tempo e oferta-lhe

açoites mestiços do místico tempo imprevisível…

Silhuetas quixotescas

inspiram insanidade e sofreguidão espavorida.

Eu,

exilada em meus muros de receios tamanhos
essência…

Sintaxe do ser na alquimia da infância…

Alva pomba de espuma na escuridão da insolência

onde estrelinhas choram…

Imergindo em mim emerge nada…

Já tudo é pertença da paisagem…
Até o sabor a rosas, lírios e groselha …

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:42
editado por appoetas em 01/05/2010 às 00:03
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Abril 27 2010

Observo o céu inspirado!

Observo o verde urgente!
Observo o binómio do côncavo e o convexo.
Observo o cumular de memórias na memória.
Afogo o mar com estrelas.

Imponho o limite decretório.
Inclino outeiros e mato arribas.

Lanço versos, tais pétalas,

espezinhadas num chão enlameado…

E por fim

rasgo toda a ilusão, num desejo de unhas compridas…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:40
editado por appoetas em 01/05/2010 às 00:02
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Abril 27 2010
Quero

a insistência incompreensível da interpretação da vida,

nas fendas da azáfama.
Quero

conhecer os som da crepitação das minhas palmas.
Quero

aromas exóticos

no fardo fadado do trilho da dor

no ângulo mais recôndito da alma

e na aragem luzidia…
Quero

que alguém pinte minha alma sem corpo.

Quero

o som racional no instinto da racionalidade.

E porque os sonhos não dormem

Quero

fazer da palavra, semente e plantar a consciência.

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:38
editado por appoetas em 01/05/2010 às 00:02
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Abril 27 2010

Com precisão de esmo

a brisa morna
abranda luz da madrugada

num doce mar amargo…
Omito as rajadas de tédio

numa envolvente vertigem…
Na imprudência solitária do jardim

o rabisco de nuvem

fede sentenças

num perfume que calcina as almas.

O vento sopra rubi
a assimétrica nevasca borrasca que no tempo navega…

Vendo às trevas

o dia do quintal das infâncias.
Lavro a ironia

e procuro um sorriso nas gavetas de quimeras…

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:37
editado por appoetas em 01/05/2010 às 00:01
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Abril 27 2010

 

Sem pedir licença

a dualidade incandescente da memória
permite que as nuvens chorem pela alvorada

na semântica contundente do progenitor

que cede ao exílio voluntário
da areia bronzeada…
Nua e pobre a tarde de estio…

A formosura do silêncio

ofusca o subtil silvo do bosque

numa gargalhada cristalina…
A vida prima pelo moer até à extrema alvura…

A alma escurece…
O sol poente deixa-se embalar por uns braços de oiro…
A flor em botão só permite palavras soluçantes

duma água tagarela…

Só permite cultivar, no céu, a esperança do sonho
num arco-íris sem rima nem engenho…
Mas tu

és a fragrância das flores que exalam maresia

quando finda a ceifa…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:35
editado por appoetas em 01/05/2010 às 00:01
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Abril 27 2010

No étimo da memória

a reminiscência de sorrisos…

Declaro pobreza assumida na demência das mentes!

Traço traços, faço rabiscos, arrisco uns riscos paradoxos!
Finco os pés finos e fico

mirando o trote das árvores.

Visto-me de paisagem…
No alfobre,

nem botão nem flor seca…

Esqueci as cores da juventude

e a gravidez das estrelas…

As andorinhas engripadas não rumam para Sul!

Submirjo de beijos rubros de doçura

na cor travessa do sentimento!
Na agonia da ira do amor

quero a embriaguez de verdade!

Ordeno ao odor do crepúsculo coruscante, reluzente

a insânia insónia!

Estou tão perto de nada no dorso da calçada
presencio a canção das águas…

Afinal

só quero de volta a minha alma

e desenhar nostalgias desertas distraidamente excêntricas…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:34
editado por appoetas em 01/05/2010 às 00:00
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Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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